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12 de jan. de 2012

Fundação Rei Baudoin financia projetos de comunidades pobres que produzam café ou cacau em países em desenvolvimento




A Fundação Rei Baudoin, uma instituição belga, está recebendo propostas para projetos que busquem melhorar a condição de vida de comunidades carentes que produzam café ou cacau em países em desenvolvimento.Os projetos podem receber até vinte mil euros por ano e devem se apoiar em três dimensões de sustentabilidade: social, ambiental e econômica.
O ciclo de apresentação de propostas se encerra apenas em 12 de outubro de 2012, e mais informações podem ser obtidas em inglês diretamente no site da organização - http://kbs-frb.be/call.aspx?id=209700&LangType=1033

1 de dez. de 2011

Globo Repórter vai mostrar impactos ambientais causados por usinas

O programa desta sexta-feira (2) viaja pela área onde vão ser construídas 16 novas usinas hidrelétricas e encontra preciosidades amazônicas.

A grande floresta que vai virar lago: o Globo Repórter desta sexta-feira (2) viaja pela área onde vão ser construídas 16 novas usinas hidrelétricas e encontra preciosidades amazônicas.

Como o menor passarinho do Brasil, o caçula, constrói seu ninho? Em encontro de arrepiar: uma onça surge diante da equipe de reportagem na Transamazônica.
 
Como o menor passarinho do Brasil, o caçula, constrói seu ninho? Em encontro de arrepiar: uma onça surge diante da equipe de reportagem na Transamazônica.

Os repórteres voam ao lado da ararajuba, a mais brasileira de todas as aves, com uma impressionante plumagem verde-amarela que brilha como ouro. Encontram ainda araras azuis e vermelhas, macacos prego, bugios e cairaras.

Quantas vidas ameaçadas pela gigantesca inundação? Nos rios, há 400 espécies de peixes grandes, pequenos e desconhecidos. Quantos vão vencer o obstáculo criado pelas barragens?

Árvores gigantescas: morada de saguis e zogue-zogues. Macacos aranha: a mata destes bichos vai desaparecer completamente? Tartaruga da Amazônia: no caminho do progresso, uma sobrevivente da era dos dinossauros. E os brasileiros que vivem nesta imensa região: o que vai acontecer com eles?
Não perca. É nesta sexta (2), no Globo Repórter.

FONTE: Disponível no G1, dica enviada pelo Henyo Barreto, do IEB.

24 de nov. de 2011

Intercâmbio regional leva jovens para conhecer produção orgânica

Jovens lideranças fizeram no período de 20 a 23 de novembro um intercâmbio às propriedades de produção orgânica da região Transamazônica/Xingu. Uma realização da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), em parceria com o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), a atividade contou com a presença de aproximadamente 20 jovens das Casas Familiares Rurais/CFR da região.

Foram visitadas iniciativas que tem como base o uso de a rotação de culturas, adubação, compostagem, entre outros métodos que aderem o princípio de agricultura sustentável. De acordo com Márcia Castro, coordenadora de projetos da FVPP, “com esse intercâmbio os jovens conheceram melhor os benefícios dessa prática e quais as vantagens que o pequeno agricultor pode ter na utilização desse método como o aumento de renda, a prevenção da erosão do solo, promoção da biodiversidade e a melhoria da saúde alimentar”.

FONTE: ASCOM GTA

28 de ago. de 2011

Política socioambiental e questão fundiária é pauta de evento em Altamira-PA, hoje

Três mil lideranças de movimentos sociais se reúnem em Altamira-PA, a partir do dia 28, para discutir impasses na política ambiental, fundiária e de desenvolvimento da região.

Cerca de três mil representantes de 15 entidades dos eixos da Transamazônica e Xingu acampam, a partir do próximo domingo (28), em Altamira-PA, para o ato público que comemorará os 20 anos de existência dos movimentos populares na Transamazônica.

O evento, que acontece até o dia 01 de setembro (quinta-feira), tem como objetivos fazer uma análise da história de luta e conquistas dos movimentos sociais na região, avaliar a consolidação de políticas estruturantes de desenvolvimento do território e elaborar um plano de desenvolvimento que considere a dimensão humana, social, cultura, econômica, ambiental e ética, considerando os novos desafios impostos ao território pela expansão demográfica da população urbana e rural em função do impacto das grandes obras.

Por um lado, o cenário atual da região é marcado por um impasse ambiental, instabilidade fundiária, obras de infraestrutura não consolidadas, políticas sociais deficitárias e ausência de programa de incentivo a modernização da agricultura e por outro lado têm as grandes obras, como o asfaltamento da BR 163 e a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que coloca a região no foco de uma estratégia nacional de desenvolvimento.

Para João Batista Uchoa, coordenador do movimento, “esses pontos exigem de todos os atores sociais (governamental e não- governamental), profunda necessidade de realizar ações efetivas de desenvolvimento sustentável que reflitam na realização de políticas públicas com prazos e orçamentos definidos, de forma a garantir a participação da sociedade, a inclusão e gestão social, o fortalecimento das diferentes expressões da agricultura familiar e a melhoria da qualidade de vida de todos”.

A programação contará com dois grandes momentos. Uma caminhada pelas ruas de Altamira na terça-feira (29), que tem expectativas de reunir cerca de três mil representantes de organizações sociais do campo e da cidade. Já na quarta-feira (30) haverá um debate, no formato de mesas de negociações, sobre os principais eixos temáticos; questão fundiária, moradia e o do programa federal Luz para Todos.

Esta é uma realização da Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetagri), Fundação Viver, produzir e Preservar e suas mais de 120 entidades associadas, em parceria com o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). O evento conta com o apoio do Projeto BR-163: Floresta, Desenvolvimento e Participação de apoio técnico e a gestão financeira da FAO Brasil, recursos doados pela União Européia e coordenação do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente.

FONTE: Assessoria de Comunicação da Fundação Viver, Produzir e Preservar e GTA

4 de jul. de 2011

Oficina de Rádios Comunitárias reuniu 22 lideranças da Transamazônica/Xingu

O encontro, que aconteceu ontem em Altamira, contou com a presença dos municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Placas, Porto de Moz, Rurópolis, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu para fazer um diagnóstico das rádios comunitárias da região.


A Oficina de Rádios Comunitárias da região Transamazônica/Xingu reuniu, no dia de ontem, em Altamira-PA, 22 lideranças responsáveis pelas rádios comunitários dos municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Placas, Porto de Moz, Rurópolis, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. 

Essa atividade teve como objetivo principal fazer uma avaliação da importância deste meio para os movimentos sociais, fazer diagnóstico da real situação das rádios, tirar encaminhamento referente as pendências existentes das rádios comunitárias da região e discutir estratégias para estabelecer uma comunicação permanente, visando o fortalecimento dos movimentos sociais e organizações da região.
De acordo com Pedro dos Santos (Pedrinho), “a oficina foi bastante participativa e proveitosa. Além de ter sido um momento de troca de experiência entre os representantes das rádios comunitárias, a oficina promoveu também um debate sobre a importância desse meio para o fortalecimento dos movimentos sociais e suas organizações.”

Os participantes fizeram uma avaliação positiva da oficina e ressaltaram a necessidade de se criar um blog com o intuito de conectar os municípios em uma ferramenta de divulgação de informações e notícias. Além disso, foi definido que em julho o Pólo fará visitas às rádios comunitárias que estão com pendências jurídica, administrativas e de gestão. Esta atividade contará com a presença de lideranças das rádios que estão regularizadas e funcionando normalmente e é uma forma de troca de experiência na prática e já na primeira semana de agosto realizará uma qualificação sobre comunicação comunitária.

FONTE: Assessoria de Comunicação - Rede GTA

6 de jun. de 2011

Serviço Florestal promove oficina de desenvolvimento organizacional para lideranças comunitárias em Altamira

O Serviço Florestal Brasileiro realiza a partir de hoje, 6/06, em Altamira (PA), uma oficina de Desenvolvimento Organizacional Participativo para 30 técnicos de organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias da região da Transamazônica e do rio Xingu, no Pará, ligadas ao manejo florestal comunitário.

O objetivo é permitir que os participantes saibam avaliar organizações comunitárias, como cooperativas e associações, e identificar características que podem ser melhoradas. São analisadas questões como o histórico do grupo, a convivência entre seus integrantes, pontos fortes e situação da organização.

“O diagnóstico culmina na proposição de um plano de intervenção, com intuito de realizar a gestão adequada das associações e cooperativas, e conseqüentemente de empreendimentos florestais, visando o protagonismo e condições de autogestão e execução de planos de manejo pelas comunidades”, afirma o técnico da Unidade Regional do Distrito Florestal Sustentável da BR-163 do Serviço Florestal, César Tenório.

A oficina vai durar cinco dias e envolverá a Unidade Regional do Serviço Florestal em Santarém (PA), o Ibama, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, entre outros órgãos federais e estaduais, além de seis ONGs e duas organizações comunitárias. A capacitação, dividida em módulos, será realizada ao longo do primeiro e segundo semestres do ano.

O Desenvolvimento Organizacional Participativo é um conjunto de instrumentos que reforça processos de mudança organizacional e foi elaborado a partir da demanda da agência alemã de cooperação internacional (GIZ) em 2000 para apoiar processos de desenvolvimento e fortalecimento das organizações de base como comunidades, associações e cooperativas.

Como resultado do curso, espera-se que os participantes (em duplas ou trios formados durante o primeiro módulo presencial) facilitem o processo de um diagnóstico organizacional participativo e apóiem a organização na elaboração de um plano de atividades para promover a mudança organizacional.

A oficina é realizada pela Unidade Regional do Serviço Florestal em parceria com a GIZ e Organipool, consultoria ligada à cooperação alemã, com apoio da organização não governamental Serviço Cerne, de Altamira.

Contato para a Imprensa
Divisão de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro
(61) 2028-7293/ 7277/ 7125
comunicacao@florestal.gov.br

FONTE: Enviado por Fabiana Vasconcelos, da Assessoria de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro

27 de mai. de 2011

Começa hoje em Santarém um Seminário que discute certificação em assentamentos e unidades de conservação

Encontro em Santarém (PA) vai reunir comunidades, sociedade civil e governo para debater produção florestal sustentável frente a novos marcos legais da atividade

O Serviço Florestal Brasileiro e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) promovem nesta sexta e sábado (27 e 28/05), em Santarém (PA), o Seminário sobre Certificação Florestal em Assentamentos e Unidades de Conservação na Região da BR-163 e Transamazônica. O encontro vai debater de que forma dispositivos como a certificação podem estimular tanto boas práticas de uso da floresta por comunidades que manejam a floresta quanto promover a participação ativa dos produtores e consumidores no controle da gestão florestal.

Para quem trabalha com produtos florestais, a certificação é uma forma de mostrar ao mercado que o produto teve origem ambientalmente correta, ou seja, que respeitou as regras de uso sustentável da floresta, entre outros critérios ambientais, sociais e econômicos.

PRESENÇA 

São esperados cerca de 100 participantes, entre entidades governamentais, organizações da sociedade civil e, principalmente, representantes de comunidades e de cooperativas. De acordo com Sandra Afonso, da Gerência Executiva de Florestas Comunitárias do Serviço Florestal, esta será uma oportunidade de colher sugestões para ações de fomento ao manejo comunitário. "As discussões sobre a implementação do manejo florestal comunitário em assentamentos de reforma agrária e em unidades conservação serão fundamentais para subsidiar as ações a serem inseridas nos Planos Anuais de Manejo Florestal Comunitário e Familiar", afirma.

MARCO LEGAL 

No evento será discutido ainda o marco legal para o manejo comunitário. Uma instrução normativa publicada este ano estabeleceu uma série de procedimentos que assentados da reforma agrária têm de observar para a realização manejo florestal dentro dos assentamentos. Uma outra instrução normativa voltada às unidades de conservação está em elaboração. Durante o Seminário será lançada a publicação de um estudo do Serviço Florestal executado pelo IEB que analisou a relação entre 16 assentamentos do Pará e empresas madeireiras nos anos de 2009 e 2010.

Seminário sobre Certificação Florestal em Assentamentos e Unidades de Conservação na Região da BR-163 e Transamazônica
Data: sexta e sábado, dias 27 e 28 de maio de 2011
Local: Av. Mendonça Furtado, 4120 - Barrudada Hotel, Santarém (PA)

PROGRAMAÇÃO
Sexta, 27
 8h30 - Boas vindas e Apresentação dos Participantes
 8h45 - Mesa de Abertura
 - Manuel Amaral (IEB)
 - Antônio Carlos Hummel (SFB)
9h15 - Mesa-Redonda 1: O manejo florestal comunitário e a certificação florestal em assentamentos e unidades de conservação
 Coord. Marcelo Carneiro (IEB)
 Instituições convidadas:
 1.IMAFLORA
2.FSC
3.COOPERFLORESTA
4.Central de associações do PA Moju
Debate
12h - Almoço
14h - Estudo das Normativas INCRA e ICMBIO
 16h - Mesa-Redonda 2: O marco legal para o manejo florestal em assentamentos de reforma agrária e em unidades de conservação.
 Coord. Manuel Amaral (IEB)
 Instituições convidadas:
1.INCRA
2.ICMBIO
3.SEMA/PA
Debate
19h - Evento de Lançamento de Publicações:
 1.IEB e SFB
 2.Debate
3.Apresentação Cultural e Coquetel
Sábado, 28
 8h30 - Mesa-Redonda 3: A construção de uma agenda positiva para o manejo florestal em assentamentos em unidades de Conservação.
 Coord. Manuel Amaral (IEB)
 Instituições convidadas:
 1.Ministério do Meio Ambiente
 2.Serviço Florestal Brasileiro
 3.Incra-Pronera
 4.IFPA-Castanhal
 5.Ideflor
10h45 - Discussão dos encaminhamentos relativos ao fomento do manejo florestal comunitário em assentamentos de reforma agrária e unidades de conservação e da articulação das entidades presentes no Seminário
12h - Encerramento

FONTE: Enviado pela Assessoria de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro. Contatos para a Imprensa: Divisão de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro. Fones: (61) 2028-7293/ 7277/ 7125 ou pelo e-mail: comunicacao@florestal.gov.br

18 de mai. de 2011

"Seminário sobre certificação florestal em assentamentos e unidades de conservação na região da BR163 e Transamazônica"

O “Seminário sobre certificação florestal em assentamentos e unidades de conservação na região da BR-163 e Transamazônica”  tem como principal objetivo provocar uma reflexão sobre a possibilidade do manejo florestal comunitário em assentamentos de reforma agrária e em unidades de conservação, tomando como referência a temática da certificação florestal e o novo marco legal estabelecido pela publicação da Instrução Normativa INCRA N° 65 e a perspectiva de edição de IN similar pelo ICMBIO.


O Seminário acontecerá em Santarém nos dias 27 e 28 de maio de 2011 no Barrudada Tropical Hotel (Localizado na Av. Mendonça Furtado, 4120 Liberdade em Santarém/PA).


Para confirmar a participação é preciso entrar em contato com Nielle Ferreira, do IEB até o dia 18 de maio de 2011 pelos telefones (91)3222-9363 e (91)4141-7816 ou por e-mail nielle@iieb.org.br

7 de abr. de 2011

O mercado, os produtos e suas relações na BR-163

Identificar os feirantes e os produtos que eles comercializam no Distrito Florestal Sustentável (DFS) da BR -163 foi o objetivo de estudos que apontam pontos positivos para se manter a floresta em pé.



Plantas medicinais, artesanato, frutas, resinas, sementes, óleos, látex, fibras. Esses são alguns dos produtos que podem ser encontrados à venda ao longo das estradas que cortam a Amazônia. São de origem florestal, mas não dependem do desmatamento para se manter, além de representarem para as comunidades rurais, dessas localidades, importantes recursos para sua subsistência, como remédios, alimentos, abrigo e fonte de renda.

“O interesse mundial pelos produtos florestais não-madeireiros (PFNM) representa um grande potencial para o uso múltiplo da floresta, evidenciado pelo crescente interesse por produtos naturais somado à preocupação com a conservação dos ecossistemas florestais”, é o que afirma a bolsista de iniciação cientifica do Museu Emílio Goeldi, Nássia Carvalho, em seu estudo “Levantamento de produtos florestais não-madeireiros comercializados em mercados dos municípios localizados na BR-163, Pará”.

A pesquisa de Nássia Carvalho, que teve a orientação de Márlia Coelho-Ferreira e a co orientação de Ronize Santos – ambas pesquisadoras do Goeldi –, teve como meta registrar os PFNM das categorias alimentícia, artesanal e medicinal comercializados nos mercados, feiras e entrepostos dos municípios do Distrito Federal Sustentável (DFS) da BR -163. Além disso, a bolsista também incluiu em sua pesquisa o perfil dos feirantes que realizam esse comércio.

Os feirantes e os produtos – Assim, em uma amostra de 62 pessoas, Nássia verificou que mais da metade desse grupo tem no comércio a sua principal fonte de renda e, em sua maioria, não são paraenses – com destaque para os nordestinos – o que está em consonância com a tradição imigrante da região estudada.

Já em relação às categorias dos produtos, a pesquisa constatou que os de uso medicinal foram os mais representativos dentre os entrevistados, seguido pelo uso artesanal e alimentício. Foram registradas 42 etnoespécies de uso medicinal, dentre elas as conhecidas andiroba (Carapa guianensis) e copaíba (Copaifera spp.), e com aplicação no tratamento de inflamações e reumatismo.

“Especula-se que no Brasil, o comércio de plantas medicinais é bastante forte, mas existem poucos dados quanto a volumes e preços. Pode-se supor, portanto, que o comércio de plantas medicinais é comum em todas as cidades brasileiras, especialmente nas feiras livres e mercados”, explica Nássia.

As plantas medicinais – E foi com foco específico nas plantas medicinais comercializadas nessa região que Pedro Lima desenvolveu a sua dissertação de mestrado dentro do Programa de Pós-Graduação em Botânica, mantido em parceria do Museu Goeldi e a Universidade Federal Rural da Amazônia. Pedro, também sob a orientação de Márlia Coelho-Ferreira, visava identificar a configuração das cadeias produtivas da região do DFS e gerar informações sobre a importância econômica e potencial desse recurso.

“As plantas medicinais são demandadas predominantemente pelo mercado consumidor local e apresentam uma cadeia produtiva composta por um número reduzido de agentes mercantis” conta o mestre, lembrando que as feiras e mercados públicos ainda são espaços essenciais para a comercialização de plantas medicinais nesta região. E ainda destaca: “os resultados mostraram que a área apresenta uma riqueza notável de espécies botânicas de uso medicinal, e que as feiras e mercados de público desempenham funções importantes na distribuição de plantas medicinais para a população desta área”.

A vida que vem da floresta

A BR-163 é o locus de pesquisa que investiga produtos florestais não-madeireiros

O Distrito Florestal Sustentável (DFS) da BR-163 - a Santarém-Cuiabá - é um complexo geoeconômico e social criado com vistas ao desenvolvimento integrado através de atividades de base florestal. A região conta com mais de 90% de área ocupada por florestas com predominância de terras públicas.

Localizado na região oeste do Estado do Pará - compreendendo a área que se estende de Santarém até Castelo dos Sonhos, no eixo da BR-163 e de Jacareacanga a Trairão no eixo da BR-230 (Transamazônica) -, sua área abrange mais de 19 milhões de hectares e compreende os municípios paraenses de Altamira, Aveiro, Belterra, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso, Placas, Rurópolis, Santarém e Trairão.

É nessa localidade onde foram estabelecidos os estudos do Projeto Integrado Ministério da Ciência e Tecnologia e Embrapa (Pime), ao qual os estudos de Nássia Carvalho e Pedro Lima estão vinculados. O Pime, coordenado pela pesquisadora Ana Albernaz, do Museu Goeldi, constitui-se numa ação para integrar as competências científicas de diferentes projetos de pesquisa cujo foco é a Amazônia, a exemplo do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO).

Em face da diversidade de temáticas e disciplinas que caracterizam as pesquisas envolvidas, o Pime optou por concentrar esforços nas dinâmicas sócio-ambientais da BR- 163, e visa à geração de políticas públicas, bem como o treinamento e a capacitação de pessoal especializado em problemas ambientais e difusão de tecnologias e práticas de produção mais sustentáveis para a região.

Iniciativas promissoras

Pelo que as pesquisas vêm demonstrando, o potencial dos produtos florestais não-madeireiros tem crescido com o aumento da variedade de produtos, seja em função da extração das florestas ou do cultivo em sistemas agroflorestais. Por isso, esses produtos têm se transformado em tópico importante no debate sobre a conservação da floresta Amazônica, levando a questionamentos quanto à sua viabilidade econômica e ecológica.

“Nos últimos anos têm surgido iniciativas promissoras de uso sustentável dos produtos florestais não-madeireiros, pois, além destes recursos satisfazerem as necessidades cruciais de subsistência, eles desempenham um papel vital no comércio local e regional, tanto de populações tradicionais inclusive rurais e também das populações urbanas”, conta Nássia Carvalho.

A bolsista, no entanto, alerta que os estudos sobre os mercados para esses produtos são ainda insuficientes para atender a demanda crescente de informações que os produtores de base familiar necessitam para organizar a produção e melhorar a renda nas suas unidades produtivas.

E, da mesma forma, Pedro Lima ressalta que “para melhoria do setor florestal não-madeireiro são necessárias ações que mostrem horizontes com perspectivas positivas para os extrativistas de forma que a floresta em pé seja cada vez mais importante em suas rendas”.

FONTE: Texto de Vanessa Brasil, também disponível aqui.

21 de mar. de 2011

Seminário reuniu 12 prefeitos em Santarém para discutir as prioridades para o desenvolvimento do Baixo Amazonas e Tapajós

Falta de infraestrutura, transporte escolar e a criação do Estado do Tapajós dominaram os debates que reuniram 12 prefeitos paraenses durante o Seminário Regional para o Desenvolvimento Integrado, realizado no sábado, dia 12/03 em Santarém, pela Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep) e suas Associações e Consórcios.

Reunidos na sede da Associação Comercial e Empresarial (ACES) do município, os gestores elencaram os principais empecilhos para o desenvolvimento das Regiões do Baixo Amazonas e do Tapajós. A partir dos relatos, a Famep consolidará as informações em um relatório que será encaminhado aos governos do Estado e Federal para que tomem conhecimento das agendas propositivas das regiões do Pará.

“Apesar de ser de conhecimento público as necessidades do Baixo Amazonas e do Tapajós, como presidente da Famep não cabe a mim dizer quais as prioridades dessas regiões. Por isso estamos debatendo com quem realmente entende e tem legitimidade para falar desses assuntos”, asseverou o prefeito de Ananindeua, Helder Barbalho, na abertura do evento. Ele referia-se ao desejo histórico das populações locais pelo asfaltamento da BR-163 (Santarém-Cuiabá) e Transamazônica, além da ampliação do programa Luz para Todos e melhorias na infraestrutura urbana, especialmente na construção de portos hidroviários e aeroportos.

O prefeito de Curuá, Raimundo Reis, enfatizou a necessidade de se construir um aeroporto no seu município, que hoje depende quase que exclusivamente de Alenquer para transportar o dinheiro que lá circula. “Municípios rurais como o nosso precisam da ajuda do governo para a construção de aeroportos. Já compramos o terreno, mas faltam recursos”.

Em Monte Alegre, o aeroporto existe mas não é usado. “Não há linhas regulares, então é como se não existisse”, afirmou Aldenora Coutinho, vice-prefeita do município.

O transporte escolar também foi debatido durante o seminário. O prefeito de Rurópolis, Aparecido Florentino, contou que em todo 2010 seu município recebeu R$ 143 mil para a área, mas a prefeitura alocou mais de R$ 1 milhão para o transporte dos alunos. “Hoje ser prefeito é um grande desafio. Temos que administrar poucos recursos e a situação se agrava quando precisamos arcar com nossas responsabilidades e a dos outros”.

Para a prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins, os seminários da Famep são importantes para que governos revejam de forma mais legítima a divisão das riquezas do país e do Estado. “Devemos ir além. Uma marcha dos prefeitos a Belém, para um debate com o governo do Estado”.

Entre os prefeitos presentes, também se elencaram como prioridades do Baixo Amazonas e do Tapajós a criação de polos da Universidade Estadual do Pará (UEPA), a ampliação dos sistemas de abastecimento de água, a aquisição de ambulanchas e a criação do Estado do Tapajós.

FONTE: Diário do Pará, aqui.

9 de dez. de 2010

Projeto Casas Familiares Rurais contribui para a valorização de jovens e adultos de oito municípios do Pará.


Há 15 anos, uma ideia simples e pioneira começou a mudar a realidade de jovens e adultos que vivem na Amazônia. É o projeto Casa Familiar Rural (CFR), da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) que, por meio da educação, dá novas oportunidades à população de oito municípios do Pará de permanecer no campo, melhorando a produtividade das terras e preservando o meio ambiente.

O projeto teve início em Medicilândia, um município pequeno, no interior do estado, atualmente com 30 mil habitantes, e cortado pela rodovia Transamazônica. De lá pra cá, os resultados positivos permitiram que a ideia fosse ampliada e, hoje, o Casa Familiar também está nos municípios paraenses Rurópolis, Placas, Uruará, Brasil Novo, Altamira, Anapu e Pacajá.

E os planos de expansão não param por aí. Com apoio do Ministério do Meio Ambiente, a Fundação Viver, Produzir e Preservar vai sistematizar as experiências nas oito Casas com o objetivo de replicar a experiência nos 43 municípios do Arco Verde - municípios que mais desmatam a Amazônia. O Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA) do MMA vai investir R$ 430 mil nesta nova etapa do projeto.

O Casa Familiar possui hoje 542 alunos matriculados e já beneficiou mais de 400 ao longo desses anos. O projeto oferece formação nos ensinos fundamental e médio, além de um curso profissionalizante em agropecuária. O CFR usa um sistema de alternância entre teoria e prática, em que os alunos passam duas semanas na escola e 21 dias em casa, aplicando em suas propriedades as lições aprendidas em sala de aula.

Segundo Ana Paula Souza, coordenadora da FVPP em Altamira (PA), enquanto o aluno está na Casa são disseminados ensinamentos que estimulam uma nova visão de produção no campo despertando nos estudantes a visão da sustentabilidade ambiental.

Lá, os alunos aprendem a melhorar a produção de diversas culturas como a mandioca, o arroz, o cacau, a avicultura, a piscicultura, criação de bovinos, caprinos, entre outras. "Esta geração é mais sensível às questões ambientais, como os efeitos negativos do desmatamento e das mudanças climáticas. E isso desperta a sensibilidade das famílias também", ressaltou.

Ela explicou ainda que essa mudança de visão é feita de forma gradual, sem crucificar as famílias que ainda usam métodos inadequados ou ultrapassados, muitas vezes por desconhecerem uma melhor alternativa. "A gente quer uma transformação do pensamento com debates". Para ajudar essa nova concepção de produção no campo, os técnicos, que também são professores na Casa, fazem visitas às comunidades para verificar como está a implantação dos novos modelos de produção e debatem sobre os métodos e técnicas agropecuárias com as famílias.

Para ler mais, clique aqui.

FONTE: Texto de Carlos Américo e foto de Jefferson Rudy, enviado por ASCOM/MMA.

6 de dez. de 2010

Serviço Florestal aumenta prazo para concorrer à concessão na Flona do Amana, no Pará

As empresas interessadas em participar da licitação para concessão na Floresta Nacional do Amana, no Pará, terão mais tempo para entregar as propostas técnica, de preço e os documentos de habilitação. O Serviço Florestal Brasileiro mudou a data limite, de 15 de dezembro de 2010, para 23 de fevereiro de 2011.

A alteração vai permitir que os concorrentes possam analisar mais detalhadamente o edital e elaborar suas propostas. Também vai evitar que o prazo final coincida com atividades e processos comuns ao fim do ano.

O edital de concessão de 210 mil hectares na Flona do Amana é o primeiro que o Serviço Florestal lança para a região de influência da BR-163, no Pará. O objetivo é estimular uma economia de produção de madeira legal, sustentável e que respeita os direitos trabalhistas.

Nas licitações para concessão, itens como o número de empregos gerados, menor dano à floresta durante a extração madeireira e processamento local do produto representam 600, dos 1000 pontos que podem ser obtidos no julgamento das propostas. Já o critério preço pelo metro cúbico da madeira responde pelos 40% restantes.

No próximo ano, o Serviço Florestal deve lançar os editais de concessão para outras duas flonas na região da BR-163, a Flona do Crepori, no município de Jacareacanga, e para a Flona de Altamira, situada no município de Altamira. Juntas, as três concessões vão disponibilizar mais de 800 mil hectares para a produção madeireira, quase oito vezes o tamanho da cidade de Belém (PA).

FONTE: Assessoria de Comunicação do Serviço Florestal Brasileiro.

12 de nov. de 2010

V Fórum Social Pan Amazônico - FSPA e X Feira de Produtores Rurais do Oeste do Pará- FEPAM

O Territorio da Cidadania do Baixo Amazonas sediará o V Fórum Social Pan Amazônico(FSPA) e promoverá a X Feira de Produtores Rurais do Oeste do Pará- FEPAM no periodo de 25 a 29 de novembro de 2010. Os dois eventos acontecerão em Santarém-PA e contarão com a participação de representantes de entidades e movimentos sociais do Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, bem como de um departamento da França: Guiana Francesa e de pessoas de diversos continentes .


Para maiores informações: http://www.forumsocialpanamazonico.org/

18 de out. de 2010

Especialistas calculam em Altamira perímetro que pode ser alagado com Belo Monte

Medição está sendo feita a pedido do MPF, para checar dados dos Estudos e acompanhar deslocamento de população se a usina for mesmo construída

Professores de engenharia ligados à Universidade Federal do Pará fizeram essa semana, a pedido do Ministério Público Federal, medições em Altamira para determinar quais áreas da cidade ficarão submersas na época da cheia, se as barragens da usina de Belo Monte forem mesmo construídas. Um dos reservatórios da usina será em frente à sede do município, que é banhada pelo rio Xingu.

O trabalho faz parte de uma das investigações do MPF sobre o projeto e foi necessário pela falta de diálogo dos empreendedores com a população possivelmente afetada e por causa de dúvidas que permanecem sobre os dados apresentados nos Estudos de Impacto Ambiental.

Para saber mais, visite o blog Xingu Vivo Para Sempre, aqui. 

8 de set. de 2010

Pará ganha a primeira fábrica de chocolates da Amazônia

A 90 quilômetros de Altamira, Medicilândia tem dois bons motivos para comemorar durante o Festival do Cacau (Cacaufest), que prossegue até o próximo dia 5 de setembro. Primeiro: Medicilândia colocou o Pará em segundo lugar na produção nacional de cacau, liderada pela Bahia. Segundo: hoje está sendo inaugurada no município a primeira fábrica de chocolate da Amazônia. A agroindústria foi construída com incentivo do governo do Estado e do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau). A expectativa dos produtores e da Secretaria de Agricultura do Estado é que, até 2015, o Pará lidere a produção de cacau
no Brasil. Em 2008, Medicilândia produziu cerca de 22 mil toneladas, 4 mil a mais que o ano anterior.

A fábrica de cacau de Medicilândia terá capacidade para processar 360 toneladas de amêndoas por ano com uma produção acima de 400 toneladas de chocolate, gerando inicialmente, 10 empregos diretos e mais de mil indiretos. A cooperativa será autônoma, mas haverá um conselho de monitoramento da produção formado por representantes do estado, municípios, sindicatos rurais e da ONG Fundação Viver Produzir e Preservar, formando a gestão compartilhada.

Os trabalhadores e gestores da fábrica foram capacitados para atuar na produção agroindustrial do chocolate. Devido a excelência do cacau paraense, o produto orgânico cultivado na Transamazônica ganhou certificação internacional e conquistou o mercado externo. É considerado a melhor matéria prima do mundo em padrão, aroma, tamanho e peso, além de ter o melhor ponto de fusão para a fabricação de chocolates finos porque possui 23% a mais de gordura que as espécies cultivadas em outras regiões.

O Pará é o segundo maior produtor brasileiro de cacau, perdendo apenas para a Bahia. Em 2009 a produção do Estado chegou a 56 mil toneladas, um crescimento de 20% nos últimos três anos. Os 11  municípios da Transamazônica produzem 40 mil toneladas, ou 70% da produção estadual. Medicilândia é o maior produtor da região, com 16 mil toneladas. Com uma área plantada de 69 mil hectares, a expansão da lavoura no Pará é de 10 mil hectares por ano. Em todo o estado onze mil famílias estão envolvidas na atividade cacaueira, sete mil só na Transamazônica.

No Brasil um dos principais importadores do cacau orgânico paraense é a empresa de cosméticos Natura. A comercialização começou ainda em 2008 quando foram vendidas as primeiras 50 toneladas de amêndoas. este ano serão comercializadas 100 toneladas só para a Natura, que lançou no mês de maio, em Altamira, uma linha de sabonetes exclusiva, feita com cacau orgânico da Transamazônica. No mercado internacional, a fábrica de chocolates finos Zooter, na Áustria, já compra o cacau orgânico do Pará para a confecção de seus produtos. Outros países do mercado europeu já demonstraram interesse na compra do cacau orgânico do Pará.

QUALIDADE
Agricultores locais gabam-se de que cacau de Medicilândia é destaque em eventos no mundo inteiro. “O cacau mais valioso que existe é o nosso”, diz Laécio Rodrigues Mota, um dos grandes produtores da região. Fabricantes de chocolate já estiveram no sítio dele, o Agricolândia, para conhecer de perto o processo natural de produção do cacau, que envolve diretamente oito famílias da região. Laécio exporta para empresas do porte da Natura e da austríaca Zotter, fábrica que produz mais de 240 sabores de chocolate, com matériaprima orgânica.

O Programa de Produção Orgânica da Transamazônica- Xingu une cooperativismo e agricultura familiar, uma
iniciativa da Fundação Viver, Produzir e Preservar-Transamazônica/ Xingu (FVPP) - e da Comissão  Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). O plantio é feito em sistema agroflorestal, com preservação da f loresta, controle de qualidade e agricultura sustentável. A iniciativa conta com a parceria do governo do Estado, governo federal e DED (Deutscher Entwicklungsdienst).

Dez anos após chegar a Medicilândia, Laécio baniu os agrotóxicos da produção, que passou a ser totalmente
orgânica. Nessa época foi criada a Cooperativa de Cacau Orgânico da Amazônia (Coopoam), da qual ele é
diretor. Com o incentivo da cooperativa, ele utiliza biofertilizantes produzidos no próprio sítio.

FONTE: Enviado por Tiago de Sousa Araújo (Assessoria de Comunicação do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social - DED Brasil), publicado no Jornal O Liberal do último sábado (04/09).

6 de set. de 2010

Altamira: 40 anos no centro do furacão

Texto de  Felipe Milanez*


"A transformação que a estrada deixa na geografia é um risco visto do satélite" (foto: Felipe Milanez)


Daqui a um mês, em 9 de outubro, completa 40 anos que o general Emílio Garrastazu Médici esteve em Altamira. Nesse dia, em 1970, ele chegou à cidade por volta das 11 horas da manhã. Fazia um calor de 40 graus. Foi recebido por 3 mil habitantes, curiosos e temerários, porém, para a imprensa da época, "entusiasticamente". Hasteou a bandeira em um mastro improvisado. Ouviu a banda militar tocar o hino. Viu um trator derrubar uma imponente árvore de 50 metros de altura - achou vibrante. Logo depois, tirou o paninho que cobria a placa. "Nestas margens do Xingu, em plena selva amazônica, o Sr. Presidente da Republica dá início à construção da Transamazônica, numa arrancada histórica para a conquista deste gigantesco mundo verde".
Há um mês e meio, em 22 de junho, Lula esteve em Altamira. Também recebido às pompas, com multidões orgulhosas de sua presença - os movimentos sociais que queriam protestar foram dispersos por estratégias de deslocamento da comitiva presidencial (encontro realizado em um local onde os manifestantes não conseguiram chegar) e anúncio súbito da presença do chefe de estado - impedindo que comunidades mais distantes se deslocassem de barco a tempo pelo rio Xingu. Ele veio assinar o contrato para a construção da usina hidrelétrica Belo Monte - também anunciou o asfaltamento, ao menos em parte, da Transa. Alguns dias depois, a cidade foi tomada por uma manifestação de diversos povos indígenas contrários à obra.
Uma estrada, para quem vive perto dela, é uma obra vital. Facilita a vida. Os deslocamentos. O problema, no caso da Transa, é que a estrada serviria para um projeto de colonização que trouxe, além de muita gente, um caos tremendo para a região. Violência, devastação, genocídio de índios arara. Não fosse o movimento social organizado pelos colonos migrantes nos anos 1980, do qual emergiram lideranças políticas que agora estão no poder no estado do Pará, projetos hoje em andamento como produção orgânica de cacau seriam impensáveis. Era madeira e pasto. Terra sem título, conflito com os índios e com outros posseiros. Tudo isso, isolados nos travessões - travessões são as estradas vicinais que partem perpendicularmente da principal.
A transformação que a estrada deixa na geografia é um risco visto do satélite. Com o deslocamento da população migrante, abre-se para os lados como uma espinha de peixe. E transforma-se num arco de devastação arrasando a paisagem original.
Uma usina hidrelétrica produz energia renovável. As águas que escorrem pelo rio, ao passar pelas turbinas, geram milhões de megawatts de energia. Essa energia pode se direcionar para os grandes centros urbanos, ou para a indústria siderúrgica que consome também milhões de megawatts. As transformações que uma usina produz em um rio são de um cálculo difícil. As cachoeiras somem, vem um lago, a água muda a temperatura. Como se conhece muito pouco dos peixes amazônicos - por exemplo, ninguém faz a menor ideia de como estimar a população dos grandes peixes-boi, nem se ele faz ou não rotas migratórias - não se sabe o que vai acontecer com o rio, que funciona como uma veia na floresta. Mas além das críticas ecológicas, inúmeras, Belo Monte tem sido bastante combatida pelas populações tradicionais que ocupam a região, como índios e ribeirinhos - no entanto, apoiada por muitos dos colonos que vieram se estabelecer aqui na época da Transamazônica, e pela leva de novos migrantes que começa a chegar.
O anúncio da construção de Belo Monte em Altamira, 40 anos depois do lançamento da construção da Transamazônica, vem reavivar o mito do progresso em meio à selva, aquele do "Brasil grande". Um tipo de progresso que marca a região, com parca distribuição de renda, desigualdades e cicatrizes de violências expostas. Enquanto aguarda a chegada de 80 mil pessoas, atrás do sonho de um trabalho digno com as promessas de investimentos vindas pela usina, a região começa a sangrar a floresta que sobrou. A maioria do desmatamento de julho de 2010, segundo dados do Imazon, ocorreu no Pará (51%), sendo que o grande foco foram municípios ao longo da Transamazônica.
Mas se Altamira e região foram palcos do surgimento de expressivos movimentos sociais da Amazônia, que souberam se readaptar às difíceis condições de vida impostas pela migração nos tempos da ditadura, vai precisar surgir uma nova organização participativa para enfrentar os desafios do progresso forjado, agora, pela usina - com a nova leva de migrantes. Nos últimos 40 anos, Altamira, uma cidade vibrante, segue sendo o centro das atenções e de transformações na Amazônia.

*Felipe Milanez é jornalista e advogado, mestre em ciência política pela Universidade de Toulouse, França. Foi editor da revista Brasil Indígena, da Funai, e da revista National Geographic Brasil, trabalhos nos quais se especializou em admirar e respeitar o Brasil profundo e multiétnico.
FONTE:  Terra Magazine, disponível em: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4662312-EI16863,00-Altamira+anos+no+centro+do+furacao.html

23 de jun. de 2010

FRUTAL

Consolidada como o principal evento da Região Norte, a edição 2010 da FRUTAL AMAZÔNIA acontecerá em Belém entre os dias 24 e 27 de junho, no HANGAR – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O evento tem abrangência nacional e internacional, com a finalidade de inserir frutas, flores, agroindústrias e produtos da agricultura familiar da Amazônia no mercado brasileiro e internacional. Possibilitar o aumento da competitividade do setor, através de cursos e palestras de capacitação. Através de apoio da SAGRI estarão presentes vários representantes da BR 163, entre eles o pessoal do Centro de Artesanto Indígena Praia do Índio, que estará comercializando suas cerâmicas. Não percam! PROGRAMAÇÃO - ABERTURA OFICIAL Dia: 24/06/2010 Horário: 19h00 - VISITAÇÃO NA FEIRA Dia: 24/06/2010 Horário: 19h00 às 22h00 Dias: 25 e 26/06/2010 Horário: 14h00 às 22h00 Dia: 27/06/2010 Horário: 9h00 às 22h00 Para saber mais clique aqui.

Entrega do primeiro título de regularização fundiária urbana de Jacareacanga.

O primeiro título de regularização fundiária urbana de Jacareacanga foi entregue em Brasília durante a VII Feira Nacional da Agricultura Familiar, no evento de comemoração do 1º ano do programa Terra Legal, com a presença da Ministra de Meio Ambiente e Ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel. Trata-se do título de regularização do Bairro São Francisco, que compreende uma área aproximada de 300 mil metros quadrados e vai permitir a implantação de diversos projetos, como por exemplo, a Construção de 120 casas populares do Programa "Minha Casa Minha Vida". Houve apoio do Governo do Estado, que através da SEDURB, disponibilizou os recursos financeiros e técnicos necessários à realização do Georreferenciamento e levantamento cadastral da área. FONTE: Enviado por Roberto Strapasson (Secretário Municipal de Agricultura e Mineração de Jacareacanga - Pará)

17 de mar. de 2010

Cacau orgânico do Pará foi destaque em feira na Alemanha

O cacau orgânico produzido na região da Transamazônica foi um dos produtos brasileiros em exposição na maior feira de negócios do setor orgânico internacional, a Biofach Internacional, realizada entre os dias 17 e 20 de fevereiro na cidade de Nuremberg, Alemanha. O Pará está foi representado por 12 pequenos e médios produtores de cacau orgânico, que pela primeira vez participam de uma feira fora do Brasil, mas já exportam, desde 2008, para a Áustria, Alemanha e empresas nacionais, como a Natura. O Pará produz 60 mil toneladas de cacau, a segunda maior produção do país, ficando atrás apenas da Bahia. Só a Transamazônica produz 40 mil toneladas, com 10 mil famílias envolvidas na atividade cacaueira na região. Há um grande otimismo quanto ao crescimento da produção orgânica na região da Transamazônica, região que mais produz cacau no Pará, o que se deve principalmente ao Centro de Referência de Produtos Orgânicos, construído com apoio do governo do Estado. O centro será inaugurado no próximo dia 27, em Altamira, e receberá a produção de oito cooperativas da região. Os produtos serão organizados, passarão por testes de laboratório para classificação e serão embalados para exportação. FONTE: Site ecoamazônia (http://www.ecoamazonia.org.br/), também disponível em: http://tapajonica.blogspot.com/ Abaixo imagens da produção familiar de cacau na região da Vicinal do Cacau (antiga Vicinal do Brabo), em Itaituba:

10 de mar. de 2010

Ida para Rurópolis rendeu visita em várias entidades

A ida para Rurópolis para participar da atividade do Dia das Mulheres promovida pelo Movimento de Mulheres, STTR, SINTEPP e Paróquia Santíssima Trindade propiciou um contato mais próximo com essas e outras entidades dos movimentos sociais de Rurópolis, como Associações de Agricultores das Vicinais da Transamazônica e Transgarimpeira, Rádio Comuntária União de Rurópolis e a COOPETRA, Cooperativa de Leite que é modelo para a região por sua organização e adequação aos padrões sanitários nacionais. O encontro com os agricultores sempre é muito interessante e o relato do Sr. José Ribamar, vulgo Gavião Real, da Associação da Vicinal do km 112, sobre os problemas que os pequenos agricultores enfrentam na Transamazônica é exemplar, pois vemos que as dificuldades enfrentadas são as mesmas, seja em Rurópolis, seja em Itaituba, seja na Transamazônica ou na BR 163. Falta de estrada em boas condições para escoar a produção (banana, mandioca, arroz, pimenta, entre outros), falta energia elétrica (o programa governamental Luz Para Todos não emplacou ainda), a ameaça dos madeireiros que desmatam grandes áreas e invadem as terras dos pequenos com violência. Tem também outra questão grave que são os assentamentos que não foram totalmente implementados e permanecem embargados pelo Ministério Público Federal, o que dificulta o acesso aos programas governamentais como crédito rural, assistência técnica e outras políticas públicas. Esse, como outras lideranças da região têm se mobilizado, apoiados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Igreja Católica e o Fórum dos Movimentos Sociais da BR 163 em ações de denúncia que carecem de divulgação na grande mídia, pois quem não está por perto, como diz o Gavião Real, acredita, o que não é verdade, que existe uma Transamazônica onde tudo corre perfeitamente bem, pois desde 30 anos atrás, quando a sua familha, entre outras milhares que vieram do Nordeste para a cá, foram convencidas a viver na Amazônia com promessas que ainda não foram cumpridas. Vamos ver algumas fotos: