22 de nov. de 2011

“Trabalhador não precisa de ´bolsa´. Precisa, sim, da presença do estado na floresta”, diz Rubens Gomes

Na Pan-Amazônica 34,1 milhões de pessoas atualmente estão abaixo de níveis de pobreza. Taxa de 60% da população Boliviana que habita a Amazônia daquele país vive com menos de 0,75 dólar por dia.

No primeiro dia do encontro Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia, encerrado na última sexta-feira (18), Rubens Gomes afirmou que “Na floresta não há pobreza extrema, não precisamos de "bolsas". Precisamos, sim, de uma forte presença do estado, seja no comando e controle para evitar os assassinatos de lideranças de trabalhadores/as”. Segundo Gomes, “Chegamos em um ponto que se tornou urgente a criação de políticas públicas para inclusão socioeconômica dos povos da floresta e a necessidade de uma política nacional que valorize a floresta em pé e privilegie a permanência dos povos e das populações tradicionais na floresta”, declarou.

Realizado em Belém do Pará e organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável e pela Articulação Regional Amazônica (ARA), o encontro contou com a participação de representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, povos indígenas, financiadores e empresários.

O Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) esteve presente no evento representado pelo presidente Rubens Gomes, pelos três diretores executivos e por mais de 10 lideranças representantes de organizações sociais. Rubens Gomes colaborou nas discussões quando relatou suas experiências com cadeias produtivas da sociobiodiversidade e na participação popular. Ressaltou, também, que a certificação socioambiental FSC, que inclui os aspectos socioambientais para as operações florestais e a questão de salvaguardas socioambientais, o engajamento do GTA na construção dos Princípios e Critérios socioambientais e o Observatório do REDD (OR) e seu Portal como ferramenta da sociedade civil para acompanhar, dar transparência e promover o controle social nos projetos de Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) e em políticas públicas são, para que as relações entre os países presentes se estreitem, ferramentas e processos fundamentais.

Ele também apresentou um panorama da produção familiar e extrativista do Brasil, ressaltando a produção de madeireiros e não madeireiros na Amazônia e evidenciou a relevância e a urgência na criação de políticas públicas para a inclusão socioeconômica dos povos da floresta, a necessidade de uma política nacional de florestas que valorize a floresta em pé e privilegie a permanência dos povos e das populações tradicionais na floresta.

No último dia de evento, sexta-feira (18), foram realizadas plenárias da Articulação Regional Amazônica e do Fórum Amazônia Sustentável somente para membros.

Fórum Amazônia Sustentável

Líderes e representantes do Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia, Peru e Venezuela estiveram em terras paraenses e puderam, por meio da troca de idéias e experiências, promover uma visão mais ampla e integrada da biodiversidade Pan-Amazônica, objetivo principal do evento. O intuito é o de fortalecer a união entre os países para possíveis negociações e o desenvolvimento futuro de modo mais sustentável a fim de garantir a floresta em pé para as próximas gerações.

Para enfrentar as problemáticas que o Brasil enfrenta, tais como as mudanças no uso do solo, desmatamento, aquecimento da temperatura global, a exploração dos recursos naturais sem um prévio planejamento e as dificuldades de legitimação de terras indígenas e de comunidades tradicionais, é fundamental que haja um amplo debate envolvendo os diversos setores.

Amazônia hoje

A Pan-Amazônica, onde vivem 34,1 milhões de pessoas atualmente (10% da população da América do Sul), está abaixo de níveis de pobreza. Na Bolívia 60% da população que habita a Amazônia daquele país vive com menos de 0,75 dólar por dia - se esse país considerasse a metodologia da ONU para medir a pobreza extrema, que é de US$ 1 diário, a porcentagem seria ainda maior. O Brasil hoje responde por cerca de 72% das taxas anuais de desmate da floresta, seguido pela Venezuela (12,5%) e pelo Peru (6,5%).

A mortalidade infantil caiu nos países amazônicos, mas não o suficiente para ser reduzida em dois terços até 2015, como quer a ONU. Na Bolívia a mortalidade infantil tem a pior taxa: são 73 mortos antes dos cinco anos a cada mil nascidos vivos --índice acima das regiões mais pobres do mundo. O Brasil tem 27 mortos em mil.

Também com os piores índices de educação, a Bolívia conta com 17% da população amazônica analfabeta - a Unesco estabelece 5% como um valor crítico. A taxa do Brasil é de 11% na região.

A conclusão é de um estudo do ARA (Articulação Regional da Amazônia) lançado na terça-feira à noite em Belém, no Pará, durante o Fórum Amazônia Sustentável, o trabalho reúne dados sobre mortalidade, analfabetismo, desmatamento e outros nos nove países da Pan-Amazônia --Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

FONTE: ASCOM GTA

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